Ainda não, a invasão foi boa. Mas... E a presença do Estado nas favelas (escola, saúde, saneamento, etc.)? E o fim das milícias? E a redução do consumo de drogas???segunda-feira, 29 de novembro de 2010
Está resolvido o problema do Rio de Janeiro???
Ainda não, a invasão foi boa. Mas... E a presença do Estado nas favelas (escola, saúde, saneamento, etc.)? E o fim das milícias? E a redução do consumo de drogas???sábado, 27 de novembro de 2010
domingo, 21 de novembro de 2010
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
Desnaturalizando...
Sandro Luis Fernandes
Às vezes usamos equivocadamente a palavra NATURAL ao invés de CULTURAL ou COMUM. O que acontece é uma confusão em relação ao que nascemos fazendo e o que aprendemos ou fazemos com frequência.
Rapidamente pensei sobre as leis contra o fumo. O mais importante foi desnaturalizar algo que já foi “natural”, ou melhor comum e cultural. Ou seja, aceito pela maioria.
Foi natural artistas fumarem. Também foi crianças comprarem cigarro para adultos. Comprei muito Mauá (cigarro sem filtro) para minha Vó Ladi nos anos 70. Estava conversando com amigos na faculdade que leciono e agora para fumar eles têm que pensar e tomar atitude. Não se pode simplesmente acender um cigarro. Tem que se deslocar ao local apropriado. Neste caso à Rua. Lembro-me das minhas aulas como aluno da UFPR no começo dos anos 90, alguns professsores fumavam durante a aula!!!
O conceito de família também está sendo desnaturalizado. A família margarina que acorda todo dia (pai, mãe e filhos) e toma café todos juntos. Foi trocada por pais e filhos que se encontram apenas no fim de semana para almoçar juntos, e às vezes o contato é efetivo somente em datas festivas.
A mudança não pára neste nível. Há mães e filhos vivendo juntos. Ou pais e filhas. Apenas o casal (hetero ou homossexual). Número de filhos diminuindo. Menos casamentos formais. Mais recasamentos. Menor número de filhos. Daí vem novas relações sociais.
Mas todo este início sobre comum, natural e cultural para falar de uma profecia minha de um ano atrás. Eu usei o conceito natural e me equivoquei. Uma vizinha de 13 anos, abandonou a escola e ficava conversando na rua até tarde com amigos do seu tio. Eu disse, é natural que vá engravidar em menos de um ano. Acertei. Está grávida, vive com os pais. Não tenho intimidade para perguntar quem é o pai. Mas desconfio que não é o genro que a maioria das mães de classe média ou alta gostaria de ter. Aliás, a menina, com seus pais, vive num casebre, com poucas condições econômica e de saneamento.
Não foi natural, infelizmente é comum. Jovens chegando às portas do ensino médio descobrem que estudar não dá prazer imediato. O que dá prazer imediato é sair com amigos, ficar, sexo, drogas, vídeo-game, internet, conversar no celular...
Falta resiliência? Faltam perspectivas?
Claro está que é comum, mas não é geral.
Agora o problema: pensei na minha adolescência. Muitos amigos não chegaram ao ensino médio. Se chegaram, não terminaram. Não sei quantos, mas pensando na minha turma de ensino médio, que foi diminuindo ao decorrer de três anos de estudo em Guarapuava. Alguns estão terminando a faculdade agora. Não é estatística suficiente, eu sei. Mas me assusta o fato de alguns conhecidos da minha adolescência estarem presos e outros terem morrido violentamente.
Então, isto é “natural” já há algum tempo.
domingo, 29 de agosto de 2010
Pássaros em casa
Pássaros em casa
Verão 2006, por Sandro Fernandes
Escrita da janela
Invasão de beija-flor
Ninho frágil na casa da vizinha, perto do chão, dois pequenos colibris a espera do primeiro beijo
Acabou a água das flores [titãs], calor difícil
Sabiás no pessegueiro
Ninhos em baixo do telhado
Ninhos na garagem, ninhos no abacateiro, ninhos na aleluia
Sabiá deixou
Chuva de verão
João-de-barro na grama recém-cortada
Bem-te-vis no vizinho
Árvore mais alta
Andorinhas em rasantes
Sanhaços apenas de vez em quando
Quando sabiás abrem espaço
Canários-da-terra nos fios
Rolinhas namorando na quaresmeira
Tico-ticos sem fubás procurando comida que caem da gaiola
Ninhos no buraco do muro, ninhos nos arbustos
Corruíras ligeiras em todos os cantos do terreno
Ninhos nos cantinhos, dentro de caixa de parafuso.
Canário-belga [titico] sempre cantante derrubante
(estava preso até ser comida de gavião).
Neste verão não veio pintassilgo
Pardais são difíceis
Párraros-preto não vi este ano
Precisam de mato com semente
Chupins não é a época
Tirivas apenas um vôo em grupo
Estavam perdidas no São Braz?
Gavião de longe
Parado no ar distante
Pica-pau atordoado no poste da vizinha
As pombas ficam no vizinho da frente
Não chegam no terreno (grandes e com doenças?)
Pássaros fugidos da gaiola
No fio de luz
Faltou alguém
O tucano que vi na rua...
A caminho do Barigui




