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domingo, 9 de janeiro de 2011

Superagui: encantamento e reflexões!


Sandro Luis Fernandes – Curitiba (PR)



Primeiro é um sentimento de deslumbramento com Superagui, em tupi-guarani: sereia ou rainha dos peixes.
Foi uma semana com muito camarão (apesar da alergia) e claro muitos peixes. Com direito a atum perdido em frente à pousada que virou um ótimo sashimi.
O pôr-do-sol maravilhoso. Foi capturado em vários retratos em tentativas de levar um pouco da beleza da ilha. Bem como os barcos de pescas, as voadeiras que fazem a vida mais rápida. Se é que é possível, pois o tempo anda num ritmo diferente lá, inclusive na atitude dos moradores, que sempre tem tempo para um papo, fazendo as coisas num ritmo mais tranqüilo.
Um capítulo a parte é a Praia Deserta, após uma caminhada na trilha (que corta vários pequenos rios) com sinfonia de pássaros acompanhando. Quando saímos da trilha, meu sobrinho Kiko, disse: chegamos no Egito (as dunas e imensidão deram esta impressão a ele). A visão esplendida fez as emoções fluírem. Fomos envoltos numa sensação de liberdade plena. A praia muito larga que acaba numa grande piscina de água salgada. O sol do fim de tarde fazendo brincadeiras com as nuvens estimulavam ainda mais os sentidos. A mais agradável das tardes na “ilha artificial” e parque nacional do Superagui.

A recepção na Pousada Oceano contribuiu significativamente para nos deixar com gosto de quero mais e extremamente à vontade na ilha. Almoços bem servidos, quartos agradáveis, simpatia e boas conversas faziam parte do nosso cotidiano.
Depois vem reflexões diante da inusitada ilha tão perto do litoral:
· A dificuldade de transporte é uma forma preservar as características que atrai poucos “turistas”, mas atrai pessoas que querem apreciar o local.
· Não é apenas curtir a natureza, próxima e exuberante, mas também um modo de vida tranqüilo que não depende de carros, apenas de barcos, carrinhos de mão, cavalos, charretes e bicicletas.
· Por que muitos paranaenses não conhecem esta parte do litoral? Preferem ir ao nordeste, visitar litoral de Santa Catarina. Pela beleza, Superagui não fica devendo. Fica devendo pela falta de urbanização, e eu sinceramente espero que esta dívida nunca seja quitada.
· Claro está que a ilha recebe influência cultural e econômica do continente. Mas algumas coisas são características (até por imposição da lei): casamentos entre nativos e restrição à exploração imobiliária por exemplo.
Sinto saudades. Dos mergulhos junto com o Pedrão, ele ficava direto na água e estava virando boto, eu ia para conferir se isto não havia acontecido. Das caminhadas com minha esposa à beira do mar, lideradas pelas corridas da nossa cadela (a super Aline, rainha das águas rasas). Da imensidão da paisagem e dos detalhes da ida para a ilha dos papagaios pelo canal do Varadouro. Do mergulho junto a meus filhos em frente à ilha: eita dificuldade para subir na embarcação depois. Dos papos com o piloto com o Vair e Zica (donos da Pousada Oceano – 41 3482-7199) e com o piloto de voadeira e líder comunitário Zico. E os botos, os papagaios-de-cara-roxa, os biguás, os gaivotões, as lavadeiras, os beija-flores...
Voltaremos lá. Curiosos para conhecer mais da ilha e sua cultura. Mas principalmente para descansar da nossa urbanidade maluca.
Observação 2: para saber mais leia a dissertação de mestrado de VIVEKANANDA, Guadalupe. Parque Nacional do Superagui: a presença humana e os objetivos de conservação. Curitiba, 2001